Braille: Rumo ao Património Imaterial da Humanidade

28 de maio de 2025

Mãos de pessoas cega a ler um livro impresso em Braille

O Centro Português de Tiflologia Equidade e Inclusão (CPTEI) tem liderado, em Portugal, diversas iniciativas para a preservação do Braille, propondo a sua inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

O CPTEI é uma associação científica sediada em Castelo de Vide, na Fundação Nossa Senhora da Esperança. A sua missão centra-se na investigação, desenvolvimento e aplicação de teorias e boas práticas reabilitativas, com foco na equidade e inclusão no âmbito da tiflologia (“o estudo sistemático, interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar, sobre a problemática da cegueira física, como Ciência Humana e Social”)*.

Apesar da sua enorme relevância, este sistema de leitura e escrita tátil para pessoas cegas, criado por Louis Braille em 1825, enfrenta novos desafios, como a crescente tendência de uso exclusivo de voz sintética em detrimento da leitura em papel ou linha Braille.

A Importância do Braille

Livro Braille aberto com uma flor branca em cima

O Braille é um meio essencial de alfabetização para pessoas cegas, permitindo-lhes ler, escrever e aceder à informação de forma independente.

No entanto, a sua utilização tem vindo a diminuir devido à falta de sensibilização e à substituição por tecnologias áudio. Esta tendência pode comprometer a ortografia e a autonomia dos utilizadores. A utilização do Braille é a única forma de conhecerem verdadeiramente a palavra e de terem acesso ao mesmo nível de escrita e leitura que as pessoas normovisuais.

O Braille desempenha um papel muito importante na educação, cultura e inclusão social, sendo reconhecido como um sistema universal de escrita tátil. Atualmente, existem cerca de 25.000 títulos em língua portuguesa disponíveis em Braille, incluindo livros, revistas e jornais.

Consulta Pública e Processo de Inventariação

A proposta de inscrição do Braille no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial esteve recentemente em consulta pública (até ao passado dia 16 de maio de 2025), permitindo que os cidadãos e as instituições contribuíssem com opiniões e sugestões. Após esta data o Património Cultural, I.P. tomará uma decisão sobre o pedido no prazo de 120 dias.

Conheça melhor tudo o que envolveu este processo na Revista Tiflociência nº2 de abril de 2025, do Centro Português de Tiflologia.

A Caminho da UNESCO

Livros Braille abertos junto ao logo da UNESCO

Este movimento não se limita a Portugal, que trabalha em parceria com outros países. A França e a Alemanha já registaram o Braille nos seus inventários nacionais e estão a trabalhar para que seja reconhecido como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Portugal está a avançar neste processo, com o apoio de especialistas como o Dr. Augusto Deodato Guerreiro e a Dra. Maria Romeiras Amado, que têm promovido estudos e eventos científicos sobre o tema.

A Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, aprovada em 2003, estabelece critérios para a proteção de tradições e expressões culturais que devem ser preservadas para as futuras gerações. A inclusão do Braille nesta lista reforça o seu papel como um instrumento de autonomia e conhecimento para as pessoas cegas a nível mundial.

Promover a Literacia Braille nas Escolas e na Sociedade

Aluno a ler um livro em Braille

A promoção do Braille é essencial para garantir que este sistema de escrita e leitura seja verdadeiramente valorizado, contribuído de forma ativa para a literacia e qualidade de vida das pessoas cegas. Algumas estratégias incluem:

  • Educação Inclusiva: As escolas devem integrar o ensino do Braille desde cedo, garantindo que os alunos cegos tenham acesso a materiais didáticos adaptados (como livros e documentos em Braille), assim como assegurar o acesso a produtos de apoio para escrita e leitura em Braille.
  • Formação de Professores: É fundamental valorizar e promover a formação de mais docentes especializados no ensino do Braille (grupo 930), assim como, facultar meios e formação para os professores que, não sendo especializados na área, dão todos os dias o seu melhor no acompanhamento que dão aos seus alunos cegos.
  • Acessibilidade em Espaços Públicos: A implementação de sinalética em Braille em locais como empresas, museus, bibliotecas e transportes públicos facilita a autonomia das pessoas cegas.
  • Participação da iniciativa privada: As empresas devem promover a utilização do Braille na informação que produzem e na identificação das embalagens dos seus produtos.
  • Entidades públicas: É importante disponibilizar nas bibliotecas e instituições públicas, tecnologias (como as linhas Braille em interação com digitalizadores ou computadores) que permitam ao utilizador cego ter acesso em Braille à informação digital ou impressa a tinta.
  • Eventos e Campanhas de Sensibilização: A realização de seminários, workshops e concursos sobre o Braille aumenta a conscientização sobre a sua importância, incentivando mais pessoas a aprender e a ensinar.
  • Tecnologia e Inovação: O desenvolvimento das tecnologias de apoio, como as linhas Braille, ajuda a modernizar a utilização do Braille sem comprometer sua relevância. Hoje em dia existem Blocos de Notas e Computadores Braille que proporcionam o mais elevado nível de interação Braille, disponibilizando o acesso à informação, à comunicação e ao conhecimento de forma acessível e inclusiva.

Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia

Logo do Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia

Se procura uma experiência única e educativa sobre a acessibilidade e a cultura das pessoas cegas, o Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia, em Castelo de Vide, é um destino imperdível.

Este espaço inovador oferece uma abordagem interativa à tiflologia, permitindo aos visitantes explorar a história do Braille, conhecer dispositivos táteis e experimentar exposições sensoriais que promovem a inclusão e a compreensão da cegueira.

Com os funcionários do museu disponíveis para o acompanhar, um guião de visita em Braille, audioguias, legendagem em Braille e QRcode, peças tateis e caixa sensorial, o museu proporciona uma experiência enriquecedora para todos, independentemente da sua condição visual.

Convidamos todos a descobrirem este espaço, onde a ciência, a cultura e a inclusão se encontram. A entrada é gratuita e o museu está preparado para receber visitantes com diferentes necessidades, garantindo uma experiência acessível e envolvente.

Para mais informações sobre horários e atividades, visite o site oficial do Museu de Tiflologia e planeie a sua visita a este centro de conhecimento e descoberta!

* Fonte: tiflologia.pt.

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